Estudantes do Ensino Superior compartilham impressões e experiências sobre educação a distância

Estudante da unidade de Porto Alegre da Faculdade Anhanguera, uma das líderes nacionais na oferta de ensino a distância (EaD), Kathiana Nunes Vieira, 34 anos, concluiu em 2019 o curso de Pedagogia na modalidade EaD. Diz que a opção por esse método de ensino ocorreu após ser mãe:

– Como meu filho era pequeno e não tinha ninguém da família com quem deixá-lo, ficou complicado para eu voltar para a sala de aula. Foi aí que escolhi o EaD.

Kathiana já havia feito um curso técnico presencial em Farmácia dez anos antes de começar a Pedagogia a distância.

– Acho bem parecidos os métodos – diz a agora pedagoga.

A forma de estudo era variada. Enquanto o filho estava na escola durante a tarde, ela estudava usando o computador. Também imprimia apostilas para leitura:

– Quando eu não entendia alguma coisa, perguntava ou para a tutora do presencial, porque eu vinha todos os sábados (na unidade da Anhanguera na Capital) , ou para a tutora online.

Kathiana diz que nunca teve problemas na interação online, mas preferia tirar as dúvidas presencialmente nos finais de semana. Recém formada, já trabalha na área que escolheu e gostou tanto de EaD que está fazendo pós-graduação em Neuroaprendizagem, na mesma universidade.

– Só que agora é totalmente online. Não venho nenhum sábado. Só para fazer a prova mesmo.

Paulo Cesar Nogueira Cabral, 54 anos, morador da Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, também está no seu segundo curso a distância. O primeiro foi uma pós-graduação. Agora, cursa graduação em Contabilidade na Universidade Estácio de Sá. A flexibilidade de horário foi o principal motivo para a escolha da modalidade:

– Não tenho horário fechado. Há dias em que tenho compromisso à noite, de manhã, à tarde. E há dias em que não tenho compromisso, isso facilita o encaixe dos estudos.

Já graduado, pós-graduado e mestre em Administração no formato presencial, Cabral diz preferir o EaD:

– É na sala lá de casa que eu estudo. É um ambiente silencioso, tranquilo. Posso me concentrar melhor. Se a aula tem três tempos de 50 minutos no presencial, estudo esse mesmo período em casa. Então, no meu caso, o EaD é mais adequado.

Mas Cabral não é maioria. Apesar do crescimento acelerado do EaD, a modalidade presencial ainda é a predileta na graduação. Dos 8,4 milhões de matriculados no país em 2018, 6,3 milhões estavam em salas de aula e pouco mais de 2 milhões, cursando a distância.

João Vitor Severo da Silva, 19 anos, é um dos que não abrem mão de frequentar a academia. Estudante de Administração: Inovação e Empreendedorismo da PUCRS , diz que a sala de aula é um ambiente mais propício para focar no conteúdo:

– Por mais que tenha, muitas vezes, o telefone disponível, a gente acaba estando em um lugar que nos força a assimilar algumas coisas. Se estivesse em casa, teria muito mais distrações.

João Vitor também cita como ponto fundamental o fato de conseguir sanar as dúvidas na hora com o professor.

– Não fico dependente de uma ferramenta como o e-mail, que pode demorar alguns dias para me trazer a resposta que quero. Mas o mais rico de tudo é o contato com as pessoas, que possibilita trocas e resulta num desenvolvimento de competências justamente por eu ter uma rede de pessoas e conseguir apreender muito com os outros – acrescenta.

Colega de João Vitor, Vitória Preter, 20, já cursou uma disciplina a distância e afirma preferir o método presencial:

– Quando a gente sai do colégio e entra numa universidade, a faculdade é o lugar onde conhecemos pessoas novas e trocamos experiências. Sentar na frente de um computador e estudar pode até trazer bastante conhecimento, mas eu acho que o principal acaba não acontecendo, que é a experiência da universidade.

Mateus Guterres Brum, também de 20 anos, gravava um podcast para um projeto de extensão da UFRGS quando GaúchaZH esteve na instituição. Apesar da tarefa acadêmica digital, que pode ser realizada fora do ambiente acadêmico, o estudante de Licenciatura em Filosofia não abre mão da sala de aula.

– Eu não faria um curso EaD – diz Brum. – Acho que se perde muito. Tive experiências problemáticas. Como se formulam questões a distância? Como tu vais avaliar alunos que tu não conheces? Que discussão vais ter com esses alunos?

Relações “mais pessoais” era o que motivavam Fernanda Lopes Ferreira, 36, na escolha da modalidade presencial. No entanto, ela decidiu cursar especialização em Finanças, Investimentos e Banking, na PUCRS, a distância. Moradora de Santa Catarina, foi seduzida pela facilidade de ter aulas, via internet, com quem vive longe dela, o que inclui nomes célebres na sua área de aprendizado.

– Há uma democratização do conhecimento em relação ao presencial. A tecnologia está aí para nos ajudar – diz.

Fernanda pesquisou bastante as metodologias dos cursos online antes de escolher aquela que cursaria. E pensou em uma rotina de estudos bastante organizada:

– Assisto a duas aulas na primeira hora da manhã. E, à noite, me dedico a ler os livros complementares e às demais questões, como as avaliações. A gente não pode mais ficar limitado ao aprendizado numa sala fechada em um mundo dinâmico como este em que estamos inseridos.

Fonte: Gaúcha ZH

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